Um mundo empresarial sem hierarquia

Estamos falando de carros autônomos e nos assustamos com um mundo sem hierarquia, sem chefes autoritários e controladores. Mas como os carros autônomos o fim dos chefes também é previsto e até aguardado com alguma ansiedade ou expectativa. Deixará de existir aqueles profissionais cuja função é somente comandar e cobrar resultados.

Em verdade a hierarquia não deixa de existir, ela será diluída e passa a ter como lastro o conhecimento, o líder será aquele que sabe mais e o poder será diluído nas responsabilidades individuais. Autonomia e comprometimento serão palavras chaves nesta mudança.

Este modelo vem da área de tecnologia da Informação, mas também das startups e das Empresas Exponenciais. O organograma fica achatado com dois ou três níveis e os profissionais são responsáveis por tarefas, que por sua vez fazem parte de projetos organizacionais complexos. Tudo é administrado por um sistema, onde em um projeto o profissional é líder, noutro somente um executor de uma tarefa. Isso independentemente se este participante é sócio/diretor ou analista. As atividades são distribuídas pelo conhecimento e ninguém precisa cobrar porque todos sabem o que tem para fazer. O sistema avisa a todos quando algo não foi realizado no prazo estabelecido e reuniões e conversas são em sua quase totalidade feitas de forma não presencial, através das diferentes mídias digitais.

Aqueles cargos de nomenclatura complexas e segmentadas, até funções consideradas estanques como recepcionista, comprador etc. Todas tendem a serem reorganizadas por tarefa, com maior responsabilidade ou simplesmente desaparecem. Se atender o telefone é importante será feito por todos, que saberão entender e dar encaminhamento a ligação. Existindo a função de telefonista este profissional fará muitas outras atividades, e terá suas responsabilidades também. Principalmente, não será uma simples encaminhadora de chamadas, porque isso um sistema faz com um custo infinitamente menor. Estas mudanças ocorrem por maior eficácia e menor desperdício de tempo e recursos.

O profissional do futuro será aquele que sabe, que conhece e que se responsabiliza por resultados. Saber mandar, vender ou negociar deixaram de ser qualidades valorizadas em si, mas recursos auxiliares que podem ser desenvolvidos. O que vai valer numa contratação é o seu saber fazer, seu conhecimento e experiência profissional.

Ganhamos com a fim do carrasco, mas agora não teremos mais ninguém para enganar, teremos que produzir. Pois nosso fracasso será visto por todos, e não teremos desculpas ou justificativas. Porque fomos nós que concordamos com o prazo e assumimos o compromisso da entrega.

Vamos ter que lidar com os nossos fantasmas, pois não teremos minguem para colocar a culpa.  Em linguagem psicológica: Deixaremos de ser vítimas para sermos agentes do nosso destino.



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